Uma gestação, assim como filho, nunca é igual a outra

Hoje, depois de duas gestações, já não falo do assunto com o mesmo romantismo que falei um dia. Ainda  assim, se tivesse iniciado minha “produção” mais jovem, e uma situação financeira que permitisse, teria 3, quem sabe até 4 filhos.

Minha primeira gestação foi bastante tranquila, correu tudo dentro do esperado, by the book.  Enjoei bastante no primeiro trimestre, cheguei a vomitar no chuveiro por causa do cheiro do shampoo e por conta dos enjoos emagreci 4 quilos no primeiro trimestre.  Assim que entrei no 4º mês os enjoos cessaram como mágica e eu me sentia ótima! Aliás, nunca me senti tão bonita quanto nos dois primeiros trimestres da primeira gestação.  No total, engordei em  média 1,3kg por mês, pouco mais que o recomendado, que é de 1kg.  Sou filha de nutricionista e isso, além da orientação da obstetra, me ajudou bastante a seguir na linha.  Além disso, fiz hidroginástica até entrar no 9º mês. Para ser perfeito, conforme meu planejamento e idealização, só faltou ter sido parto normal. Mas não temos controle sobre tudo na vida, portanto, há alguns dias de entrar na 41ª semana de gestação, me conformei e decidi fazer a cesariana.  Gael chegou saudável numa quente manhã de julho em Fortaleza.

No caso do caçula, meus enjoos não cessaram como num passe de mágica quando entrei no 4º mês e enjoos e azia me acompanharam durante os 9 meses.  Aliás, a última vez que vomitei já estava entrando no 9º mês de gestação.

No 4º mês tive um sangramento, que susto!  Não cheguei a ter descolamento de placenta, tive o que chamam de “placenta baixa”, que me exigiu 15 dias de repouso.  Também por conta desse sangramento, fui proibida de praticar qualquer atividade física até o final da gestação.

Outra diferença entre as duas gestações diz respeito à minha rotina. No primeiro caso eu estudava pelas manhãs apenas, me locomovia de carro para ir mais longe e a partir do 5º mês, contava com a ajuda de uma fada madrinha chamada Rejane, que trabalhava lá em casa de 2ª a 6ª feira e cozinhava muito bem, obrigada.

No segundo, eu trabalhava 8 horas diárias, utilizava transporte público, e contava apenas com uma diarista às sextas feiras, sendo que já tinha o primeiro filho para cuidar.  Durante os meus quinze dias de repouso, Gael vinha me ver no quarto querendo brincar, pedia atenção e o máximo que eu podia fazer era pedir que deitasse ao meu lado enquanto eu lia histórias.

Enfim, com o episódio do repouso, eu e meu marido decidimos que eu deixaria de trabalhar, pois seria justo oferecer ao  segundo bebê o mesmo que oferecemos ao primeiro: a mãe com uma rotina mais tranquila.  Afinal, tudo na vida é uma questão de prioridade, e meus filhos estão SEMPRE em primeiro lugar.

Novamente fui submetida a uma cesariana, Pablo nasceu uma semana depois de São Paulo registrar a temperatura mais alta dos últimos 40 anos para aquela época do ano.  Passei mais calor no final da gestação dele em São Paulo, que na do Gael, que nasceu em Fortaleza.  Nunca realizei o sonho de ter um filho de parto normal, mas o que realmente importa é que ambos chegaram bem e saudáveis. Além disso, independente do tipo de parto, em ambos os casos eu tenho críticas aos procedimentos adotados durante e, especialmente, após o parto.  Por isso hoje me vejo simpática a um crescente movimento em favor do que chamam de parto humanizado.  Mas deixo esse assunto para um próximo post.

Não tenho saudade do barrigão e outros clichês que costuma-se ouvir.  É realmente incrível sentir o bebê chutar, ver o corpinho funcionando perfeitamente no ultra som etc… mas o último trimestre, mesmo na gestação mais tranquila, traz vários desconfortos dos quais não tenho saudade alguma.

É difícil arranjar posição para dormir, o antes simples fato de se mexer na cama fica mais complexo.  Eu tinha que segurar a barriga para conseguir virar de um lado para o outro e usava travesseiro nos meio das pernas, travesseiro para “calçar” a barriga,  para amenizar a azia tinha travesseiro extra também na cabeça, para dormir mais sentada. Se está fazendo 30 graus nossa sensação térmica é de 40 e devido a toda aquela pressão na bexiga, você vai ao banheiro de hora em hora, inclusive de madrugada. Sem falar na dor na coluna, pernas inchadas, varizes. Não é fácil, viu?

Como falei no início do post, não falo com romantismo do assunto mas garanto, vale muito a pena e em outro cenário eu teria até 4 filhos, pois sempre gostei da bagunça de uma família grande.

6 comentários sobre “Uma gestação, assim como filho, nunca é igual a outra

  1. Parto humanizado , medicos humanizados, hospitais humanizados….estamos precisando humanizar o mundo! Sou muito a favor do parto normal – justamente porque eu tbem passei pelas duas experiencias – e posso opinar com conhecimento de causa. Nao que eu seja contra o parto cesareo -so acho que o sinal de que, é chegada a hora, deve ser dado pelo corpo da gestante e nao pelo comodismo de ambas as partes ( medicos e gestantes)- sem levar em consideracao os sinais naturais que indicam a maturidade e o conforto do feto.

    • Concordo. Mas é necessário um alerta. Parto humanizado não é sinônimo de parto normal. Parto humanizado diz respeito a práticas relacionadas a todo o período que vai desde o pré natal até o momento do parto e pós parto. Tenho visto que essa confusão é bastante comum. beijo, obrigada pelo comentário

  2. Olá Ana! Então, lendo seu post não pude deixar de lembrar das minhas duas gestações… Momentos inesquecíveis e de puro encantamento. Mesmo com os desconfortos, principalmente no último trimestre, nunca me senti tão linda e tão plena! Recomendo! rs Quanto aos partos, passei por duas cesarianas por livre escolha! Sim, eu não queria parto natural e não me sinto mal por isso. Foram partos tranquilos, planejados, normais (porque cesariana tbm é um parto normal!). Fui respeitada e muito bem atendida por minha obstetra. Porém, de forma alguma, faço qualquer apologia a esse ou aquele tipo de parto.
    Concordo plenamente com o parto humanizado! Isso sim deveria ser um direito da gestante!
    Beijo grande para vc e parabéns pela linda família!!!! Como sempre te falo: beijos com sabor de infância!! Até mais!!

    • Si! Obrigada por prestigiar o blog. Exato, independente da modalidade de parto, as práticas relacionadas À gestação, o porto em si e o pós parto deveriam ser “humanizadas” e não nos fazer sentir como uma chocadeira numa linha de produção. beijo com sabor de infância em ti também

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