Todo meu respeito às modernas mães em tempo integral

Muito lutou-se, reivindicou-se e conquistou-se no que diz respeito à igualdade de gênero. Muito ainda falta, verdade, mas deixo essa questão para um próximo post.

Hoje, justamente pelo que já se conquistou, eu entendo que há uma forte cobrança, pressão e até mesmo preconceito com mulheres que optam por cuidar da casa, dos filhos e “não trabalhar”. Sim, entre aspas, pois por 5 anos eu fui uma dessas mulheres e posso afirmar: dá muito mais trabalho “não trabalhar” do que trabalhar fora, com trânsito e tudo. (Estou em São Paulo, o trânsito é lembrado em todo e qualquer assunto.)

Meus pais educaram/orientaram a mim e minha irmã para sermos independentes, mulheres “modernas” com uma carreira etc. Novamente usei aspas pois, no meu conceito, moderno é ser/fazer o que faz cada um feliz. Sou feliz tendo um trabalho, uma carreira? Maravilha, assim será. Sou feliz dedicando todo meu tempo a cuidar dos filhos, sendo dona de casa? Lindo também. Ou pelo menos, assim deveria ser. (Não vou entrar no mérito de tantos outros modos possíveis para uma mulher ser feliz, tá? Solteira, morando só, casada sem filhos, separada com filho, no segundo casamento, com enteados, morando com gatos, ou outra gata, … enfim, também é assunto para outro post.)

Durante o período que me dediquei a ser “mãe em tempo integral”, talvez pela educação que recebi, por minha mãe sempre ter trabalhado fora, eu me sentia compelida a justificar porque não trabalhava. E isso me incomodava. Talvez meu interlocutor nem tivesse essa cobrança, e por pura neura/culpa, eu acabava me justificando.

Voltei ao mercado formal de trabalho exatamente quando meu caçula completou 1 aninho e o mais velho, 5 anos e meio. Ter podido me dedicar exclusivamente aos filhos enquanto bebês foi um verdadeiro luxo, um privilégio.

Dinheiro/trabalho vem, vai, perde-se, usa-se mal, recupera-se, já o tempo… não tem volta. (Bill Watterson, o cartunista das tirinhas “Calvind & Hobbes” concorda comigo, vejam aqui.)

Talvez por isso eu ache interessante quando se fala em “tempo de qualidade” com os filhos. Eu me pergunto, será que essa expressão não é mais uma invenção dos tempos atuais, para confortar pais que não podem ou não querem dedicar tanto tempo/atenção quanto necessário aos filhos? Como se houvesse um padrão ISO de qualidade do tempo que se está com eles. Estar com os filhos é sempre bom e ponto final. Soou autoritário né… tá bom, para mim é e ponto final.

Atualmente, para poder trabalhar, deixo meus dois meninos em período integral na escolinha. Minha rotina hoje, mesmo sem diarista e sem família por perto para dar aquela mãozinha extra, é menos cansativa do que quando ficava em casa com eles.

Exatamente por ter sido uma dona de casa que se dedicava aos filhos, afirmo que há preconceito com mulheres que optam por isso ao invés de persuadir uma carreira. E esse preconceito não parte só de homens mas também, e arrisco dizer, principalmente de muitas mulheres.

Ainda falta conquistar muito no que diz respeito à igualdade de gênero, assim como tem faltado respeito a quem, seja mulher ou homem, opta por ficar em casa e cuidar dos pequenos.

 

MATERNIDADE – ELISEU VISCONTI, 1906

mãe moderna

 

Anúncios

5 comentários sobre “Todo meu respeito às modernas mães em tempo integral

  1. Maes – modernas ou nao – sao pressionadas e criticadas desde sempre! Essa missao nao é facil, mas vale muito a pena!
    Hoje eu me sinto feliz de ver o resultado que consegui com minhas filhas, apesar de tantos erros e tantas criticas que tive de ouvir ( e “desconfio” que as criticas ainda nao acabaram – vao existir sempre…).
    Por isso eu repito uma pergunta que sempre fiz a mim mesma e àqueles que me criticavam : “Onde esta escrito que mae tem de ser um ser perfeito? Isso é uma lei? Quem inventou isso?”

    Antes de ser mae somos seres humanos- e seres humanos imperfeitos – vamos sendo lapidadas pela vida!

    • Ana, eu tb acho que é muito mais cansativo ser dona de casa do que trabalhar 10 horas fora de casa e confesso que adorava trabalhar fora porque não aguentava o dia todo sendo mãe e dona de casa, mesmo quando fiquei sem empregadas e fazia jornada tripla. Vou testemunhar que nunca vi uma pessoa tão dedicada e corajosa como voce na arte de ser mãe e dona de casa em tempo integral, principalmente logo depois de ser mãe do segundo filho e ter assumido sozinha este papel. Parabéns! Também fui e sou cheia de erros como mãe mas espero ter passado algo para meus filhos no que se refere às responsabilidades de ser companheiro e compartilhar os trabalhos de casa com a companheira.

    • Verdade, trabalhando fora ou dentro de casa, o certo é que erraremos. Costumo dizer que, enquanto acertarmos mais do que erramos, a balança está no positivo.

  2. Pingback: “Stop the glorification of busy” | Colcha de Retalhos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s