Escolhendo, do meu jeito, a nova escola do meu filho

Imagem

Antes de tudo, desculpem a ausência.  Outubro foi um mês especialmente corrido e atribulado.

Quero compartilhar com vocês algumas observações que venho fazendo há 2 anos, pois meu filho mais velho agora está com 6 anos, no Jardim II e a partir do ano que vem deve ir a uma nova escola.

Como assim, Ana?  A partir do ano que vem ele deve mudar e há dois anos você observa fatos relacionados a essa mudança?

Sim.  É uma verdadeira neura, da qual procuro manter distância, não permitir que me engula, pois realmente não quero fazer parte dela, fomentá-la.  Antes que eu prossiga vale ressaltar que não sou pedagoga ou psicóloga, o que registro aqui são minhas impressões de mãe, observadora e leiga.

Há dois anos, em reuniões de pais e mestres na atual escolinha, ouvi pela primeira vez a pergunta: “Você já sabe para qual escola seu filho vai quando sair daqui?”  Minha reação foi: “Hein?!  Ele ainda tem 2 anos de escolinha infantil pela frente.  Não, não faço idéia.”

Então passei a ouvir coisas como: “Ah mas tem que ver, precisa garantir vaga.”  Considerando que ele irá para uma escola particular, como assim garantir vaga? Já sabia que na rede pública realmente deve-se entrar em fila, ficar atento a datas e tal. Mas para escola particular?

Também passei a ouvir que algumas escolas em São Paulo, por estarem entre as primeiras colocadas no ENEM, fazem até entrevista com as crianças, e sim, você deve agendar a entrevista com meses de antecedência. Lembrando que, ainda assim, não significa que seu filho será “escolhido”.

Nem entro no mérito do valor das mensalidades dessas escolas “iluminadas”.

Particularmente acho isso tudo insano, bizarro, surreal.  Em julho desse ano havia amiguinhos do meu filho já matriculados na nova escola para “garantir vaga”.  Ou seja, imagino que para essas escolas mudar de cidade seja algo proibido.

A atual escolinha dos meus filhos, quando enviou aos pais material de escolas com as quais tem convênio, mandou junto um texto muito bom da Rosely Sayão, questionando o exame do ENEM. Clique aqui para ler o texto.  Como coloca a autora: “É preciso lembrar, em primeiro lugar, que o Enem é feito para avaliar o ALUNO, e não a escola.”  Obrigada Rosely.  Eu fui educada exatamente com o pensamento de que o aluno faz a escola e não o contrário.

E novamente emprestando palavras da autora: a maioria dos alunos são medianos, assim como a maioria de nós, pais, também o somos. É a vida como ela é, minha gente. Nem todo mundo é campeão/vencedor. E não vejo problema nenhum nisso, ser mediano já é extraordinário, ainda mais no nosso país, onde acesso a educação é praticamente um privilégio, quando deveria ser um direito básico.

Ainda questionando esse ranking, há outro texto, também de Rosely Sayão que recomendo, aqui.  Nesse texto, de forma bem humorada, ela propõe uma avaliação que elabora o ranking dos pais, e destaco o final de seu texto: “Essa brincadeira serve para mostrar a falta de bom senso que é avaliar o trabalho das escolas apenas pelo resultado dos exames de seus alunos. Os pais não precisam levar tão a sério os tais ranking escolares.”

Um alento ler opiniões como essas nesses tempos neuróticos. Podem me chamar do que for, de irresponsável, relaxada, negligente.  Ainda assim, eu me recuso a permitir que a nova escola decida meu timing.  Sou eu quem vou escolher a nova escola do meu filho, na qual ele passará os próximos 12 anos de sua vida, no meu ritmo, a meu tempo, com meus critérios; e não no tempo de terceiros, com critérios e neuras alheias.

Por mais que eu procure poupar meu filho de criar expectativas – afinal, é muito fácil desencadear ansiedade em criança – há sempre a influência externa, que foge ao meu controle.  Até aí normal, tudo bem.  Eu converso com meu filho em casa, e a gente se entende.

Exemplifico.  Ele já chegou em casa comentando: “Mamãe, hoje fulano saiu mais cedo porque foi fazer vivência na escolinha nova. Essa criança vai para o colégio BlaBla. E eu, para qual colégio eu vou?”  Então eu explico a ele que essa é uma preocupação do papai e da mamãe, que ele é criança e deve aproveitar a escolinha atual, viver o agora, brincar muito com os amiguinhos que tem hoje. E nada além disso.

Houve caso de amiguinhos tristes por perder atividades da escola atual, com amiguinhos atuais, em nome de fazer vivência na nova escola.  Aí me pergunto: vale gerar essa frustração no meu filho porque está perdendo momentos da realidade atual em nome de uma suposta adaptação ao que será sua realidade daqui 3, 4, 5 meses?  Qual será o fator mais importante para sua adaptação ao novo local?  Penso que sejam as pessoas com quem vai conviver, muito mais que o prédio, os móveis, o parquinho… Será que essas crianças estão fazendo vivência com a professora que os acompanhará no primeiro ano da nova escola, com as crianças que serão seus novos colegas de classe? Se for assim, menos mal.  Ainda assim não vejo sentido em gerar frustração por perder momentos da realidade atual em nome de conhecer um pouco da realidade futura. Mas como falei no início do post, não sou pedagoga ou psicóloga, essas são minhas impressões/questionamentos como mãe e leiga.

Enfim, já estamos em novembro e, se você faz parte do rol de pais que agenda entrevista com 2 anos de antecedência para, quem sabe, um dia, matriculá-lo ali se a escola considerar seu filho digno de fazer parte de seu quadro, então segure-se para não cair da cadeira, pois meu filho ainda não está matriculado na nova escola que ele deve começar a frequentar em março do próximo ano.

2 comentários sobre “Escolhendo, do meu jeito, a nova escola do meu filho

  1. Pingback: Crianças brasileiras, as crianças mais estressadas do mundo | Colcha de Retalhos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s