“Stop the glorification of busy”

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Ontem vi a notícia de uma redatora publicitária que morreu na Indonésia depois de trabalhar por três dias consecutivos, a base de uma bebida energética.

Vou dar um enfoque maior relacionando o assunto com maternidade, pois esse é o tema do blog.  Não vou falar bonito, citando estudos antropológicos e psico-sociais de alguma universidade gringa mostrando que o corpo humano tem limites e cada um deve conhecer o seu.  Não precisamos disso, basta um pouco de bom senso e amor à vida.

Tampouco vou citar algum filósofo pensador do século XYZ que já dizia que o mundo ocidental capitalista bla bla bla… pois sabemos que a realidade cultural hoje é considerar  bonito ser mega hiper ultra ocupado, senão você é automaticamente um preguiçoso/acomodado/sem ambição/que quer tudo de mão beijada/vagabundo/etc.

Já falei em outro post como defendo a valorização das mães em tempo integral, pois hoje percebo preconceito em relação a mulheres que optam por cuidar dos filhos e casa, ao invés de sair para trabalhar.  Como se isso fosse sinônimo de ser desocupada, folgada.  Afinal, cuidar de criança é mole, praticamente uma sessão de relaxamento e meditação. (disclaimer: ironia presente na última sentença. Melhor alertar porque né….)

Entendo que esse preconceito atual com mulheres que “não trabalham” vem justamente da “glorificação ao mega ocupado.” Como se fosse digno de respeito apenas quem se encaixa nesse perfil praticamente workahoolic. E como se cuidar dos filhos fosse sinônimo de ficar à toa.

Já ouvi de amigas e colegas de trabalho a frustração em não ser reconhecida profissionalmente porque não se dispõe a viajar a trabalho, e/ou por cumprir a jornada de oito horas à risca porque, mesmo trabalhando fora, reservam-se o direito de ter algum tempo com os filhos e não abrem mão disso.

Tenho o exemplo de uma amiga que chegou a um cargo de gerência, viajava constantemente pela empresa, atingiu metas, ou melhor, superou metas, apresentando números melhores que os de um colega de profissão do sexo masculino e no final do ano, adivinhem quem foi o promovido?

Sua decepção foi tão grande que ela decidiu fazer home office 3 vezes  por semana para ficar mais tempo com o filho, hoje com 7 anos.  Não raro, em casos em que a mulher toma essa decisão, ainda tem que ouvir comentários como: “ah você não vai estar tão presente, vai diminuir suas chances de crescer.”   O QUE?  E quando o filho era ainda menor e ela estava na empresa todos os dias, viajava constantemente, convivia com a saudade por estar longe de seu bebê, dedicou todo esse tempo (que não volta mais) à empresa, foi tudo para que mesmo? Surtiu que efeito? Cadê o reconhecimento por esse tempo?

Já é parte de nossa cultura entender que o “bom” funcionário é aquele que fica além da jornada de oito horas.

Eu lembro de ouvir piadinhas em outro lugar que trabalhei como: “A Ana parece  funcionário público, deu 18h já se ouve o barulho da caneta dela caindo na mesa.”  SIM!  Eu tenho vida além disso, graças a Deus!  Como diz o bordão, eu trabalho para viver e não vivo para trabalhar. (Se meu próximo post for para contar que fui demitida, vocês já vão desconfiar o motivo né? Mas é isso!) Quanto ao preconceito e piadinhas com funcionário público também deixo para outro post, em outro blog.  O foco aqui no Colcha de Retalhos é outro.

Por outro lado, me conforta ver “movimentos” como do “slow food” e deliciosos textos como esse aqui, para ler num belo momento de ócio, essa arte desvalorizada.

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