Um líder só existe se houver liderados

líder

No que se refere á educação de filhos, leio muita coisa pois acho válido conhecer dicas e opiniões de profissionais e estudiosos do comportamento humano, justamente para poder formar minha própria opinião, encontrar meu jeito próprio de ser mãe e orientar/educar meus filhos.

Nas últimas duas semanas, coincidência ou não, cheguei a quatro artigos que se complementam ou se contrapõem e foram eles que me trouxeram aqui hoje para escrever esse post.

Um deles, largamente compartilhado nas redes sociais, alertava-nos sobre o fato de o mundo estar dominado por medíocres (sic!). (Desculpem mas não encontrei o link para o texto original.)

Esse artigo aqui (Não se iluda: você provavelmente não é acima da média), questiona se todas as pessoas que compartilharam o primeiro texto se sentem como gênios mal compreendidos e massacrados pela maioria medíocre.  Eu na verdade entendo que o “medíocre” nesse caso seria o indivíduo médio ou seja, a grande e esmagadora maioria de nós.

Outro ótimo artigo é esse aqui (Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes) que analisa porque tantos jovens profissionais da geração “Y” (hoje de 20 a 40 anos) estão insatisfeitos com suas profissões.  O pesquisador que conduziu esse estudo apelida grande parte dos jovens dessa geração de GYSPYS, segundo o texto original: “Um GYPSY é um tipo especial de yuppie, um tipo que se acha o personagem principal de uma história muito importante” e basicamente demonstra que os GYPSYS foram educados/criados para pensar grande, levados a crer que nasceram para liderar.

Então penso: ninguém é líder se não houver liderados. Ou teremos uma tribo cheia de cacique e nenhum índio.

Além disso, o pesquisador demonstra que a felicidade tem uma fórmula bastante simples: felicidade = realidade – expectativa.  Temos então grande parte de uma geração que esperava alcançar, como diz o texto original: “um lindo gramado verde, florido e com unicórnios voadores” que, em sua maioria, alcançou a média: o gramado verde com algumas flores.  E isso é ruim?  Isso é pouco?  Penso que não, mas certamente não é suficiente para quem acreditava que merecia ter, no meio do gramado verde e florido, o unicórnio alado.

Ana, mas o que isso tudo tem a ver com o blog que se propõe a tratar de assuntos pertinentes à maternidade?  Já chego lá, permitam-me alinhavar um texto ao outro.

Ainda preciso mencionar outros dois artigos: esse aqui (“Do what you love, love what you do” – Faça o que você ama, ame o que você faz) fala de um pensamento que, a princípio, parece apenas uma bonitinha frase motivacional dessas que vemos compartilhadas nas redes sociais com uma bela paisagem de fundo: “faça o que você ama e não vai parecer que está trabalhando.”  Resumo o que diz o texto original: essa afirmação na verdade desvaloriza o trabalho, passa impressão de que aquele que não consegue fazer daquilo que ama sua fonte de renda, é um fracassado.  Quando, na verdade, deveríamos valorizar o trabalho seja ele qual for, justamente para que seja bem remunerado de forma que a pessoa possa  dedicar-se àquilo que ama em seu tempo livre.  Até porque, quem ama empilhar caixas? Quem ama apertar parafuso numa linha de produção o dia todo?  Quem ama repor mercadorias em prateleiras de supermercado? Ainda assim são atividades importantes e precisam ser desempenhadas por alguém.  O texto que fala da insatisfação profissional dos “GYPSYS” é muito bem complementado por essa crítica ao “faça o que você ama”.

Finalmente, chego ao quarto artigo: “7 comportamentos dos pais que impedirão seus filhos de se tornarem líderes”.  A princípio, gosto dos sete conselhos elencados mas não necessariamente imaginando que servirão para que meu filho seja um líder. Dessa vez, além de ressaltar que um líder só existe se houver liderados, acrescento: como explicar irmãos educados da mesma maneira, com acesso às mesmas oportunidades e no entanto com destinos tão diferentes como: um torna-se dependente químico (permitam-me o exemplo extremista) e outro um profissional em cargo de gerência?

Os pais são realmente influência na vida dos filhos e como tal devem orientar sempre.  Mas as influências externas também são parte da vida: desde amigos, ao infinito mundo de informação disponibilizado pela internet.  Acredito que a partir de um certo momento, aos pais resta apenas confiar na educação que deram aos filhos e confiar/esperar que façam bom uso dela.

Quanto a todos esses manuais, frases e fórmulas prontas de como viver, de como educar filhos para que tenham um futuro brilhante, continuarei lendo, nem que seja para questionar um a um.

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4 comentários sobre “Um líder só existe se houver liderados

  1. Como uma pessoa mediana que sou, consegui chegar num estagio da minha vida que posso me considerar vitoriosa.
    Vim de uma familia classe media, vivi uma vida mediana em todos os sentidos: estudei em escolas medianas, trabalhei formalmente desde os 17 anos, e informalmente -muito antes- em trabalhos que me garantiram a subsistencia mediana -minha e de minha familia, e que na maior parte deles -nao eram as atividades que “amava” executar, mas sim , aquelas que me permitiam pagar as contas e viver dignamente. Nunca fui lider, nunca tive de prejudicar ninguem que conviveu comigo durante minha trajetoria de vida (no trabalho, na escola, no meu cotidiano), mas também nunca me sujeitei à competiçoes que no meu ponto de vista nao tinham criterios justos.
    Apesar de toda essa “medianidade” me orgulho do que sou e em dizer que consegui educar duas filhas seguindo o meu manual de vida , e deixando a propria vida se encarregar de me ensinar. Afinal, filho nao vem com manual…e genitores também nao. Aprende-se a ser pai e mae, exercendo a funçao…e cada filho tem a sua personalidade, tem as suas exigencias e cada um te ensina coisas diversas.
    Procurando usar sempre o bom senso, além de tentar ser justa e imparcial ( coisa dificil de realizar) fui aprendendo, fui tentando ensinar , fui vivendo…e assim continuo.

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