Desfralde, uma aventura molhada

Iniciamos o processo de desfralde do meu caçula há duas semanas e os óbvios ingredientes paciência e persistência são realmente essenciais.

Fora isso, cada criança tem seu tempo, seu jeito, e o que funcionou com meu filho mais velho eu sabia que não necessariamente funcionaria com o caçula.

Em geral nos passam dicas, regras, teorias e ter alguma noção é sempre válido.

Com meu filho mais velho, nos dois primeiros dias a impressão era de que ele usaria fralda até os 18 anos, mas já a partir do terceiro dia a coisa evoluiu bem.

Com o caçula não tem sido tão rápido e na semana que iniciamos o processo, ele adoeceu. Foram mais de cinco dias de febre, vômito, comendo mal, enfim, sintomas de uma virose.

Foi assim que quebrei uma regra que ouço à exaustão:  depois de iniciado o processo, não pode voltar atrás. Mas como cada caso é um caso, pensei: a criança já está doente, com febre chegando a 39,4°C, só quer dormir… e então decidi não forçar o pequeno a sentar no peniquinho.

Processo interrompido.

Passado o ciclo da virose, bebê saudável e novamente brincando, alimentando-se bem, retomamos o processo.

Voltamos à estaca zero e ele se mostrava bastante resistente ao novo objeto que passa a fazer parte de sua rotina. Passou a fazer xixi no chão e só depois avisava: “Fez xixi no chão, mamãe.”

Meu marido, com sua psicologia digamos, um tanto mais rústica, chegou a dar bronca no pequeno em uma das vezes que isso aconteceu.

Não gostei, pois uma das regras/teorias que nos passam é que não pode dar bronca. E não é que, coincidência ou não, o xixi seguinte e todos os demais do dia, foram no peniquinho? Então meu marido teve a idéia de fazer o pequeno levar o penico até o vaso para dar tchau ao xixi, e deixar que ele disparasse a descarga.

Claro! Como não pensei nisso antes? Desde que aprendeu a andar e descobriu a válvula da descarga ele adora ficar acionando o mecanismo. Legal, um pai atento ao filho incorporou ao processo algo que diverte a criança.

De vez em quando ainda escapa e ele nos avisa somente depois que já fez no chão. Mas considerando que voltamos à estaca zero e ainda estamos, tecnicamente, na primeira semana de desfralde, tudo bem.

Assim, mais uma vez, percebo que não há fórmulas perfeitas para criar filhos.  É muito bom ter ideias e orientações gerais, mas é na prática, conhecendo seu próprio filho, que cada um descobre a melhor maneira de ensinar e aprender.

E por enquanto, novamente tenho a impressão que meu filho só sairá das fraldas aos 18 anos.

Imagem

Foto: Penico “caca-culo” do Museu do Penico em Salamanca, Espanha.

Um comentário sobre “Desfralde, uma aventura molhada

  1. Trabalho de paciencia que depois de alguns anos a gente nem se lembra mais se foi facil ou dificil! Se eu tivesse que contar, hoje, como foi o desfralde de minhas filhas, nao saberia por onde começar. Parece que foi tao natural quanto aprender a falar, a andar, a ler, a sair p/ as baladas, sair de casa, enfim …elas cresceram! So isso que me lembro: elas cresceram!!!

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