Mãe, esposa, profissional, amante… que canseira!

 

Das coisas mais difíceis, ao menos para mim, é balancear os papéis a desempenhar no cotidiano.

Todas já ouvimos aquelas frases prontas oriundas da sabedoria popular, como: “Casal tem que ter um tempo a sós, mesmo depois de ter filhos.” – “Você tem que ser tudo pro seu marido: amiga, companheira, esposa, amante, boa mãe para os filhos dele e até um pouco mãe dele também.”

É verdade que o casal deve ainda ter momentos a sós mesmo depois dos filhos.  Mas pode levar algum tempo até que isso seja realmente possível.

Por falar em frases prontas, é comum ter alguém pronto a dizer: quem quer faz, quem não quer, arranja desculpa.

Pois é, eu vivenciei várias “boas desculpas” até poder chegar a uma fase em que eu pudesse realmente passar algum tempo a sós com meu marido.  Quando bebezinhos, meus filhos precisavam de mim para amamentá-los, algo que ninguém mais poderia fazer por mim.  Eu fiz questão de seguir a orientação do pediatra e alimentar exclusivamente no seio até os 6 meses. Só aí foi meio ano de “desculpa” para não deixar meus bebês por muito tempo com alguém, sem minha presença. Segui amamentado até 1 ano e 2 meses o mais velho e (infelizmente apenas) até os 10 meses o caçula.  Por mais que já tivesse introduzido frutas, papinhas etc, eles ainda precisavam de mim, então passar um final de semana apenas eu e meu marido, por exemplo, ainda estava fora de questão.

Então chega a idade que eles não dependem tanto da presença da mãe para alimentá-los mas há outros aspectos que fazem com que não seja assim tão simples passar muito tempo longe deles.

Outra “desculpa” que pesava para mim, até poucos meses atrás, era o fato de não termos família por perto aqui em São Paulo.  Como tantos outros nessa metrópole, não somos daqui e há poucos meses minha sogra veio morar aqui com intuito de curtir mais os netos e de bônus ainda pode nos dar algum apoio em relação aos meninos.  Até então, eu tinha a “desculpa” de não ter família por perto, e portanto eu e meu marido tínhamos apenas um ao outro para ajudar com os meninos.

Em algumas situações tivemos ajuda de amigos, é verdade, mas sempre tivemos o cuidado de não abusar da boa vontade alheia. Portanto, foram poucas ocasiões em que deixamos os filhos por conta de amigos para podermos fazer algo a dois.

Além disso tudo, para algumas mães, passar alguns dias longe dos filhos parece menos doloroso do que é para mim.  E já melhorei!  Hoje o mais velho tem 7 anos, o caçula logo completa 3 e agora me sinto mais tranquila em ficar algum tempo longe deles, em especial do menor.  Só agora, 7 anos depois do nascimento do primeiro, eu tenho me dado o direito de “não arranjar mais desculpas” e voltei realmente ter alguns momentos a sós com meu marido, para sermos apenas namorados e deixar os papéis de pai e mãe descansando.

Pois é, 7 anos depois.

Não há romantismo no que estou relatando mas é a realidade que vivi, que tenho vivido.  Por isso, hoje, tenho noção e entendo o alto índice de divórcios de casais com filhos ainda pequenos.  A meu ver, é realmente uma fase que requer bastante comprometimento e força de vontade.

E nesse processo todo, muitas vezes eu simplemente não tinha energia suficiente para ser, além de mãe, companheira, amiga, namorada/amante.

Estamos acostumados a ler relatos lindos, emocionados e emocionantes sobre casamento, sobre maternidade e talvez esse pareça amargurado.  De modo algum.  É apenas um relato menos romantizado sobre o tema.

Eu admito que apenas recentemente meu papel de mãe voltou a permitir maior espaço ao meu papel de namorada.  E não me culpo ou me crucifico por isso. Foi meu ritmo, meu processo, minha experiência.

Apesar das frases prontas repetidas como fórmula mágica, como verdade absoluta, a minha verdade é que não consigo sempre balancear todos os papéis que esperam de mim. Estou aprendendo a conviver bem com isso ao mesmo tempo que aprendo a mantê-los em equilíbrio.

Eu não consigo ser essa mãe perfeita e completa que pintam por aí, que supostamente nasce quando nasce um bebê. Nem a esposa perfeita e completa dos comerciais de margarina ou de produtos de limpeza. Mas faço meu melhor e espero que meu melhor continue sendo suficiente para minha família.

-1950s-usa-fridges-housewives-housewife-the-advertising-archives

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2 comentários sobre “Mãe, esposa, profissional, amante… que canseira!

  1. Ana, todas nós passamos por isso. Tive minha mãe sempre perto e me ajudava com Gu e Tuca. Mesmo assim era uma canseira. Tinha as coisas da casa, compras, pagamentos, empregadas e tudo mais do dia a dia, não há romantismo que aguente mesmo. Hoje muitas mulheres estão tendo um grande apoio dos maridos, antes não era assim, pai ficava distante das coisas do “lar” e dos filhos. Não é o romantismo, o namoro, ou a falta de dedicação para um tempo a dois que faz o casamento ser duradouro ou mais feliz. O que importa é o respeito, comprometimento dos dois, o amor e o querer viver uma família com todos os seus momentos bons e principalmente os complicados e difíceis. Você é uma pessoa maravilhosa, dedicada e comprometida com você, seus amores.

  2. Vamos aprendendo com a vida, com os exemplos, com os erros e acertos – nossos e dos outros. Ser mae, ser mulher, ser companheira, ser amante – tarefas nao faceis de conciliar- e que exigem muito de nos.Voce esta de parabens, mammagrella. Tem sido competente, coerente e tem conseguido manter o equilibrio necessario. Beijo

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